Senhor Primeiro Ministro, força, demita-se, talvez assim sem a imunidade política possa ser convenientemente julgado.
"Eu acho absolutamente lamentável que esse jornalismo, que se pode classificar como jornalismo de buraco de fechadura, baseado em escutas telefónicas e em conversas privadas, que não tendo relevância criminal devem ser privadas, se faça e com o objectivo de atacar pessoas, afirmou esta tarde aos jornalistas o primeiro-ministro, José Sócrates, questionado a propósito das notícias dos últimos dias que dão conta de um alegado plano para controlar a TVI e condicionar o Presidente da República, Cavaco Silva.
Sócrates falou à margem da adjudicação dos contratos de Redes de Nova Geração nas zonas rurais do Alentejo, em Terreiro do Paço Ducal, Vila Viçosa.
"Eu não contribuo para essa infâmia, nem para a degradação da nossa vida pública, baseando-se essas acusações e essas notícias em escutas telefónicas", acrescentou.
E rematou: Era o que faltava que ficasse na posição de comentar conversas privadas. Não o faço. Isso é uma atitude indecorosa e desprezível."
Indícios de conspiração
Na edição de ontem, o semanário 'Sol' transcreve excertos do despacho do juiz de Aveiro responsável pelo processo Face Oculta no qual este considera haver "indícios muito fortes da existência de um plano", que envolve o primeiro-ministro, José Sócrates, para controlar a estação de televisão TVI e afastar Manuela Moura Guedes e José Eduardo Moniz.
O mesmo assunto faz hoje manchete do 'Correio da Manhã' com o título "Conspiração ataca Presidente". O diário fala em planos para controlar a comunicação social e numa conspiração entre Sócrates e Armando Vara (ex-ministro socialista e ex-vice-presidente do BCP) contra o Presidente da República. De acordo com o jornal, ambos tencionavam provocar eleições legislativas em 2011, com o objectivo de recuperar a maioria no Parlamento.
O Correio da Manhã revela ainda que ao longo das escutas a que teve acesso, Cavaco Silva e a líder do PSD, Manuela Ferreira Leite, são insultados por diversas vezes.
O ministro dos Assuntos Parlamentares, Jorge Lacão, pronunciou-se ontem sobre a matéria divulgada pelo 'Sol', dizendo que "o Governo não tem que dar explicações em matérias em relação às quais não tem nada que lhe pese na consciência".
"Pornografia" e "atentado ao Estado de Direito"
O advogado de Armando Vara também reagiu à noticia do 'Sol'. Em declarações à 'TSF', Tiago Rodrigues Bastos classificou de "pornografia" a divulgação das escutas e "um atentado a todas as regras de um Estado de Direito com o pretexto de um suposto interesse político".
"É extraordinário ver publicadas estas partes do processo no mesmo dia em que fomos notificados de que não seria levantado o segredo de Justiça ao Dr. Armando Vara. O DR. Armando Vara tem a dizer que deixa claro que não contribuirá para esta verdadeira pornografia a que temos vindo a assistir. O que está em causa é a divulgação de documentos e de partes de um processo que não chegou a existir e de material que foi mandado destruir", declarou.
Fonte: Expresso
Abraço,
